Sentimos a força
disso
quando apertamos o dedo
pequenino
na nossa mão
protegido e tocado
adormecido, vulnerável
carente, acordado
a força de um gesto leve
e poderoso,
evocativo sem saber a quem
a um odor
a uma rosa de carne saliente
a uma imagem baça chamativa
definida
a um som
um afecto
um aperto involuntário de uma sístole
repentina, responsável, assustada.
Sentimos a força
disso
ao agarrá-lo em dois membros
com os músculos tensos, controlados,
contra o peito
que é abrigo
e sabe agora que já não pode morrer
só por morrer
por ser abrigo
por ser um lar
por causa
disso.


Sentimos a força disso