Brilha-te já o sal no olhar

enquanto me dizes em silêncio

faz qualquer coisa

pede-me o número do telefone

não me deixes ir assim

sem nada

nunca mais te vejo

quando? onde? como?

e eu estúpido a dizer-te adeus

porque o embate de uma porta que fecha para sempre

é dos sons mais altos

e eu já bati a porta vezes demais

e vezes demais fiquei deste lado

a sentir na cara a brisa desse som

a ameaçar saudade e mãos vazias

e o pedido do teu número arde-me

a língua de arrependimento

porque ao fim e ao cabo já

te vejo seminua em todas as paragens de autocarro
quando passo a conduzir

e não é que seja esse o problema

mas faz-me uma grande confusão

porque assim vai mesmo ser difícil esquecer

o teu olhar, as tuas ancas,

as tuas linhas, o teu sorriso,

o teu sabor.




Paragens de autocarro