Os justos apontam o dedo
desconhecendo a força do martelar
de um peito contra o gelo.
Os justos pegam em pedras
mas as suas vidas hipócritas
e miseráveis
nos espelhos
mais cedo ou mais tarde,
um ricochete
nos justos e na sua falsa verticalidade.
Amigas e amigos, justos e tão honestos
tão correctos e tão dignos socialmente,
que a cicatriz não se abra neste peito
e não se feche na desgraça constatada
das vossas ilações,
do vosso antigo reflexo
nos espelhos tão vazios
dessas vossas tristes vidas.