Onde te sinto mais a falta é nas mãos.
Estas, que te percorriam o corpo
nos outros anos.
Do que te sinto mais a falta
são as mãos
que me tocavam nas faces,
com as palmas a obrigarem
os meus olhos aos teus,
sorridentes,
e um cabelo cor-de-sol
virado às aves
que sem aviso
te despediam de um eu,
ignorado no olfacto
de um velho amanhecer,
provável, no futuro,
imaginado num olhar,
nos nossos sexos,
nas tuas mãos.