Hoje
queimei mais um romance na lareira
e
logo o teu carro a travar chiando à minha porta
e
a tua mão
na minha face
a lembrar-me as nossas
loucuras
dos
dias em que nos amávamos
e
tínhamos
sexo em gabinetes de prova de roupa,
nos cinemas, nos carros
dos amigos
à beira-mar,
a tua mão terna e interessada
de quem ainda ama
e me quer bater
em
fúria e
mágoa pela atitude de quem não vê
a
qualidade -
da merda - do teu trabalho
de lágrimas
a olhar para as cinzas
e nos meus cabelos
os teus dedos
a
acarinharem-me até ao
sono
como
uma criança
que se ama muito
e
tem uma doença
qualquer em tons de azul
rasgando o preto
dizendo em ternos
sons atenuantes
descansa agora,
querido amigo,
descansa agora
no meu colo
e eu repouso o meu
desviver
no doce embalo do
teu seio.
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