Na solidão desta cozinha,
sopa de feijão e pão com manteiga,
o café na máquina a engasgar
e a presença em eco de outras vozes.
Lugares vazios, ausências,
afectos para memória futura
de um medo enorme de que me morras
e me faltes e me faças falta
e eu em recolha sobre mim mesmo
em tumulto a confundir
expressões idiomáticas com manifestações de fé,
desamparado pela tua perda
em terror, meu pai
minha mãe,
meus filhos,
em tal aperto pessimista, calejado
que me faz treinar
já o silêncio desta cozinha,
com sopa de feijão e pão com manteiga
à porta fechada
e do outro hall,
quase ao meu lado,
as vossas vozes,
os vossos risos,
a vossa presença, em eco,
na minha ausência.