
| Naquele quarto alugado | |
Naquele quarto alugado acusavas-me a responsabilidade de, por uma cláusula qualquer de um contrato que não assinei, ser propriedade tua. Gemias ainda em resquícios e vagueavam já os meus olhos em direcção a Sul a lembrar-me dos meus livros, dos meus discos e dos amigos que não partilharia contigo. “Não é aqui que eu moro” e tu parva a constatar a independência em espiral que te traía em direcção ao tecto, a um rumor e à ilegalidade da minha quebra subtil, repentina, eficaz. Deverias ter sentido a fuga na opacidade da minha vontade evasiva. Nunca foi desprezo: só a ausência de caminhos novos a traçar. Naquele quarto alugado acordavam os meus poros sem ternura aos poucos.
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