Hoje nada de problemas de carreira
nem diz-que-disses em reuniões cretinas.
Nada de azul ou cinzento
idiotas, imbecis
nada dos outros e suas vidas estúpidas,
legítimas, mas estúpidas.
Hoje nada de cores.
Hoje nada de políticas.
Nada do paradigma da educação,
idiota, de gabinete e cretino.
Fiz o meu próprio referendo:
hoje, nada de nada, nada de tudo.
Hoje, nada.
Hoje, tudo.
Esta noite chama-me o barqueiro.
Hoje só Cave e a sua fé estranha
num piano de poesia
que me lembra de ti quando não estás
e me vence um vazio
de um cinismo crescente
em tudo e em todos.
Hoje a noite é pós-gótica, afinal,
semelhante a quase nenhuma
de todas as outras iguais.

Hoje só Nick Cave