Feliz Ano, amigos.
Possa eu sempre ver
as vossas roupas nesta casa,
cozinhar-vos vários pratos e
deixar respirar o vinho
entre conversas.
Possamos sempre brindar aos amigos idos.
Possa eu ouvir para sempre o eco
dos vossos risos nesta sala
e aquecer-vos o brandy na lareira,
ao som de músicas com 20 anos
e ver a vossa cara ressacada
em manhãs seguintes,
entre sumos de laranja e ben-u-rons,
de pijama e óculos escuros
sem rimmel nem cremes enjoativos
e cabelos despreocupados
a falarem-me de velhos dias,
em que tudo era nosso, até o tempo.
Feliz ano, amigos.
Possa eu fingir que não vos vejo
a esconder à pressa as minhas telas
nos vossos carros que partiram,
para longe desta sala onde vibra
ainda aquela força sempre eterna
da amizade.