Devia ter-te beijado  

Devia ter-te beijado

e levado as mãos das omoplatas

aos teus seios

sem indícios de outra vida

e dançando a minha língua na tua

e um mamilo entre os meus dedos

a tua cabeça no meu ombro

com a textura do meu beijo

e o calor das minhas mãos

nas tuas virilhas,

cantando nos silêncios

das palavras abafadas

em pinturas absolvidas

uma rara vez

do insano fogo da lareira.

Devia ter-te beijado

e fazer-te esquecer as outras mãos

 

e na redoma fica um corpo

desenhando sem poder

o teu nome

nos seus cantos.