Andaremos sempre de passagem

nessa vida a que fugiste

sem tu saberes sequer como são

as paisagens pálidas do meu franzir.

É uma dupla atrocidade

saber-te quente só com as mãos,

sentir-te e escrever-te

e inventar-me em chuvas incertas

onde andam mortas as multidões

adormecidas no meu sono

de tanto querer não te querer tanto.

Amar-me é suicídio,

por mim nunca serias, mas és,

a força dinâmica de um contratempo.

Sob este vento as nuvens

são pianos que falam de um de nós.

Escrevo o teu nome na areia

até que os dias acordem limpos.

 


 

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