Quando me dizes que as tuas
madrugadas são tristes e aborrecidas
ouço-me e vejo o mar de Inverno
que nos bate à porta devagarinho
e no qual não entramos
por ser tão gélido e chamativo
e lhe recusamos o corpo mas não a mente.
E sabes, as nossas madrugadas não são
assim tão diferentes.
Fica o Chopin no ar e o hip-hop na gaveta
até que a manhã quebre
e as nossas máscaras nos
cubram as faces novamente ou
por engano nos mudem o sentir
e o viver fingido fora do breu
que nos consome o Ser e o Estar.
Essas madrugadas por serem diferentes
são sempre iguais e nunca as mesmas.

O anjo do teu ombro
merece o corpo que o carrega.

 

 

 

 

 

 

 

Para Laura Guerra, poetisa


As nossas madrugadas