Como lidam as margens de um rio
perante a vontade de se unirem
quando o impossível lhes marca o Estar?
Encontram-se no leito
diluído no mar, tocando-se com dedos
feitos de água,
espreguiçando-se no vazio.
Resta-lhes o contemplar mútuo,
eterno e assegurado
de um olhar de retorno
que nunca pestaneja debaixo do Sol.
À noite, iluminadas,
estendem-se sombras de velhos
membros de musgo pintados,
procurando eternamente o abraço.