Existem fantasmas nesta casa,
sinto-os por aí
nas sombras, naquela garra debaixo da cama
que pode sair a qualquer momento
e que nos gela durante horas a noite,
a aguentar a bexiga com medo
de um passo a dar no escuro.
Somos aos 30 anos, a criança
a olhar para o armário que não range
ainda.
Aos 30 anos vomitamos tranças castanhas
de 6 metros que me puxas em desespero
por me sentires a sufocar num pesadelo
que não se explica
e no suor acordado,
uma âncora na madrugada
que nos passa a mão agora materna
e nos embala com ternura em novos ventos,
ventos calmos,
calmos ventos.




Existem fantasmas nesta casa